A dificuldade das decisões e das escolhas!

02-01-2020

Lá estava de novo o problema do raio desta vida, a escolha certa ou a mais apropriada para agradar a gregos e a troianos, ou a deus e ao diabo, venham os quatro e escolham. Esta cena de escrever é, no fundo, muito simples. Basta ter umas ideias, conhecer a língua, a gramática e prontos, já está, funciona como um pudim instantâneo, é só juntar água, no caso, histórias, mexer tudo num recipiente de tamanho apropriado e servir à temperatura ambiente. No caso da escrita, o recipiente será o livro, a temperatura dependerá da estação do ano em que for lido, o ambiente, esse nasce durante ou no fim da leitura. Em conclusão, a gastronomia literária não provoca indigestões, não engorda, não altera a saúde e faz milagres alimentando e despertando essa tão esquecida esquecida borbulha, de nome cérebro. Mas o raio da vida é uma estrada de dificuldades, umas em cima das outras, que coisa, hein? Quem terá sido o iluminado que criou a vida, vendendo-a como sendo um paraíso e, logo a seguir, a temperou com a luxúria, oferecendo a maçã, que o palerma, sem pensar, trincou. E, num acto tão simples, o paraíso foi-se e, no lugar dele, nasceu esta coisa a que, não sendo mal educado, só poderei chamar de uma grandessíssima merda. E foi assim que se fez luz, era de dia! Porque tudo isto se passou durante a noite, a escolha entre decidir ou escolher e, como já disse, fiquei pelo aceitar o que esta vida dá, mesmo sendo essa tal merda que, se for bem deglutida, poderá assumir formas de um belíssimo chocolate suiço. Por mim, prefiro o amargo ao doce mas, claro, isto no que toca a chocolate. Na vida, prefiro que ela seja real e sentida. Sendo assim, vou escrever sobre tudo, melhor dizendo, sobre um tema que inclui esse tudo, a Vida. Na vida encontramos as pessoas, essas que ocupam lugares na sociedade, umas num nível superior, outras ao mesmo nível e, por fim, as outras que estão num nível inferior. Poderia começar por pegar nas últimas, aproveitando o facto de já partir em vantagem porque quem já caminha fragilizado é mais fácil de derrubar, mas achei que era um sinal de má formação. Escolher pessoas intermédias seria nem comer carne nem peixe, era assim uma espécie de receita de aproveitar as sobras que se espalham pelo frigorífico e que, depois de misturadas, costumam chamar-se improviso culinário. Ficaram as tais importantes e quanto a essas, foi fácil de decidir o que fazer com elas. Ou seja, decidi então que, se já tinha decidido que escolher é complicado, para começar algo novo, então era melhor fazer "delete"(1) nestas questões todas, encher o peito de ar, renovar as células mentais e oxigenar as minhas incertezas. Venci a dificuldade das indecisões, das escolhas e finalmente aprendi que decidir é simplesmente ser aquilo que sentimos e não tentar andar aqui numa roda viva para agradar a toda a gente. Como tal decidi que este livro iria ser o ponto de partida para ser como sou, como sempre fui mas muitas vezes me esqueci de ser e, assim, deixar de andar preocupado se gostam ou não de mim. Esse é um problema dos outros, resolvam-no. Assim comecei, assim irei continuar e, por fim, foi deste modo que percebi que, melhor do que estar vivo é saber viver...