Raios partam esta vida de merda!

02-12-2019

"Raios partam esta vida de merda!", uma frase que circula nas bocas do mundo. Anda tudo chateado, tudo stressado, aliás, melhor dizendo, stress é a palavra da moda. Quem não sofre desta doença precisa de fazer um upgrade à saúde. As multidões correm para os transportes, mudas mas ouvintes de outros, dos fones que rebentam tímpanos ao som de música, essa que muitas vezes é uma terapia, outras uma fuga ao som dos pensamentos. De telemóveis em riste, por vezes um em cada mão, rolam mensagens trocadas ao segundo, olhos percorrem o menu pela milionésima vez, uma forma tecnológica de fazer parar o cérebro e, assim, não pensar nesta treta de vida. Pensei durante anos que escrever era uma cena para eleitos. Mas, afinal, é simplesmente escrever. Pensei de novo, coisa rara mas que me acontece muitas vezes, pensar. Como estava a tentar dizer, pensei e, qual o meu espanto, cheguei a uma conclusão: Vou escrever! Quero ser um escritor do mundo, da vida; das pessoas, pouco me importa, elas é que têm de se importar com o que eu escrevo. Não são palavras de prepotência, de violência ou outra coisa similar, são simplesmente uma advertência, em forma de conselho, para alertar que essa coisa que se chama cabeça tem lá dentro miolos que precisam de ser exercitados. O ginásio aconselhado chama-se cultura e essa deve ser digerida no final pelo pensamento. Depois vem a dificuldade da escolha. Como vou escrever? No papel com uma caneta, ou num portátil de última geração? Andei uns dias numa luta terrível, entre visitas a papelarias e lojas de informática. Por fim, e para resolver esta questão de vez, decidi utilizar ambas as formas. Umas vezes a inspiração vai para o papel, outras, vai para o portátil. No fim, acaba no livro. Para resolver este tipo de problemas, direi mesmo, dilemas, que se chamam escolhas e decisões, existe um método muito simples, não escolher, não decidir, e fazer o que na altura achamos mais correcto. Depois, se escolhermos mal ou decidirmos de forma incorrecta, é só aguentar as consequências. É chato, arriscado, e direi mesmo, perigoso, quando temos de decidir. Aliás, acho uma violência social essa cena das escolhas e decisões. Portanto, eu optei por não decidir, por não escolher e simplesmente aceitar o que, quando estou disposto a tal, me colocam à frente do nariz. Ora bem, neste passo de gigante que foi aceitar o caminho da escrita para ocupar as minhas horas de exclusão laboral, lá apareceu de novo o raio da escolha. Vou escrever, mas sobre que tema? Pensei, pensei, pensei...e, claro, quanto mais pensava menos conseguia decidir o que devia escolher! Que chatice esta treta de pensar!... Mas, como sem pensar no que decidir não podemos escolher, decidi então pelo mais simples, vou começar a escrever. E comecei...